CIBERBULLYING

Afinal, o que é Ciberbyllying?


  Ciberbullying é o ato de violência virtual, isto é, é a violência praticada contra alguém, através da Internet ou de outras tecnologias, relacionada ao mundo digital. A palavra “ciberbullying” foi citada inicialmente por Bill Belsey, pesquisador canadense, que afirma que o processo envolve o agressor utilizar informações e comunicações por meio da
tecnologia

  É o conjunto de técnicas, habilidades, métodos e processos usados na produção de bens ou serviços, ou na realização de objetivos. O termo atualmente é mais comumente usado para se referir a eletrônicos ou produtos industrializados, como carros. É muito importante, pois, hoje em dia, é quase impossível se viver sem conhecimento sobre tecnologia.

para hostilizar uma pessoa ou um grupo de indivíduos de forma deliberada e repetida.
  Basicamente, a diferença entre o ciberbullying e o bullying é que o bullying é o ato de agressão física, verbal e psicológica que se mostra de forma sistemática e contínua; enquanto o ciberbullying é a extensão da prática do bullying ao ambiente virtual. O bullying é mais comum entre adolescentes e ocorre principalmente no contexto escolar, já o ciberbullying ultrapassa qualquer barreira física. Sendo assim, é evidente que a vítima dificilmente escapará aos ataques que ocorrem o tempo todo em redes sociais e aplicativos de mensagem, além da agressão ficar registrada.
  O ciberbullying, por ser uma tentativa de ofender a outra pessoa, pode causar problemas sérios, como a depressão. Infelizmente, é um comportamento muito comum na Internet, no mundo atual, que não deve passar despercebido. É imprescindível que o jovem do século XXI tenha consciência dessas atitudes e busque formas de combater esse tipo de violência.

POLÍTICAS PÚBLICAS CONTRA O CIBERBULLYING


  Com o objetivo de combater e prevenir esse comportamento, principalmente no ambiente escolar, em novembro de 2015, foi sancionada a Lei Nº13.185 contra o bullying e o ciberbullying, que instituiu o Programa de Combate à Intimidação Sistemática (Bullying), definindo a prática como: “todo ato de violência física ou psicológica, intencional e repetitivo que ocorre sem motivação evidente, praticado por indivíduo ou grupo, contra uma ou mais pessoas, com o objetivo de intimidá-la ou agredi-la, causando dor e angústia à vítima, em uma relação de desequilíbrio de poder entre as partes envolvidas”.
  Na descrição da lei, a prática do bullying, dentro ou fora da internet, é classificada por oito características: verbal (insultar, xingar e apelidar pejorativamente); moral (difamar, caluniar, disseminar rumores); sexual (assediar, induzir e/ou abusar); social (ignorar, isolar e excluir); psicológica (perseguir, amedrontar, aterrorizar, intimidar, dominar, manipular, chantagear e infernizar); físico (socar, chutar, bater); material (furtar, roubar, destruir pertences de outrem); e sendo a virtual (ciberbullying) considerada por “depreciar, enviar mensagens intrusivas da intimidade, enviar ou adulterar fotos e dados pessoais que resultem em sofrimento ou com o intuito de criar meios de constrangimento psicológico e social”.

CONTEXTO HISTÓRICO


  Muitos desconhecem, mas o bullying sempre existiu. Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega, no fim da década de 1970, foi o primeiro especialista a relacionar a palavra a um fenômeno. Com a pesquisa sobre as tendências suicidas entre adolescentes, Dan Olweus descobriu que grande parte desses jovens havia sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, o bullying era um problema grave a ser combatido.
  O fenômeno começou a se popularizar com a influência dos meios de comunicação, como a internet e as reportagens na televisão. Agressões, como os apelidos pejorativos e as brincadeiras ofensivas, foram ganhando cada vez mais espaço; além disso, as consequências trágicas e a impunidade tornam a questão ainda mais urgente.
  A origem do ciberbullying não tem uma data certa nem um ponto de partida exato, trata-se de um comportamento já existente, o bullying, que foi expandindo seu espaço com os avanços tecnológicos e com a chegada da era digital. Uma pesquisa realizada pelo Instituto Ipsos, publicada em 2018, afirma que as crianças brasileiras são vítimas frequentes de hostilidade, principalmente em perfis de redes sociais. Ainda de acordo com pesquisa, em 65% dos casos, as redes sociais foram usadas como ferramentas para praticar as agressões. Em seguida, aparecem os smartphones que são usados em 45% das ocorrências de bullying. No Brasil, os perfis na internet são usados em 70% das vezes que uma criança é atacada nas redes. Por isso, podemos afirmar que esse tipo de violência, relacionada muitas vezes ao
preconceito

  Discriminação por características físicas, etnia, gênero, idade, classe social, entre outros. Falta de conhecimento: Pré-conceito.
  Um tipo de preconceito que, infelizmente, ainda ocorre é o racismo, que é estrutural, isto é, uma normalização de atos preconceituosos no dia a dia a partir da estrutura da sociedade, que privilegia algumas raças em detrimento de outras. No Brasil e outros países americanos, essa discriminação favorece os brancos e desfavorece negros e indígenas. Em 2020, atos racistas causaram grandes manifestações nos EUA e no mundo inteiro, como os protestos após a morte de George Floyd e de Breonna Taylor, duas pessoas negras que foram mortas por policiais brancos.

, está ligado diretamente ao crescimento da internet e ao progresso da tecnologia, já que utiliza esses meios para se “propagar”, como se ele fosse uma doença.
  Um dos primeiros casos de ciberbullying a ganhar atenção na grande mídia foi o da adolescente de 13 anos, Megan Meier, que em 2006, em Missouri, tirou a própria vida tragicamente após ser enganada pelo seu web-namorado, supostamente chamado “Josh Evans” (16 anos). O caso ocorreu na rede social MySpace. Megan, que já enfrentava problemas com o peso e tinha baixa autoestima, recebeu mensagens caluniosas sobre o seu caráter, viu suas mensagens trocadas em modo privado serem expostas por “Josh”, leu ofensas sobre ela compartilhadas em vários perfis, entre outras humilhações. A última mensagem que “Josh” lhe enviou, dizia: “Todos sabem quem você é. Você é má e todos te odeiam. Tenha uma porcaria de vida. O mundo será bem melhor sem você”. Porém o que Megan não sabia era que o perfil de Josh era falso e controlado por uma vizinha, uma mulher de 47 anos, mãe de uma ex-amiga da jovem. Após o final trágico, foi criada a Megan Meier Foundation, uma das primeiras instituições para combater o bullying e ciberbullying no mundo.
  Outro caso de ciberbullying que teve final trágico foi o de Amanda Todd. Aos 12 anos, Amanda entrou em um bate-papo online e foi induzida a mostrar seus seios na webcam. Após um ano, uma pessoa do bate-papo entrou em contato com a adolescente pelo Facebook e chantageou-a, caso não fizesse uma “performance”, ele mostraria prints do chat para a família e para os amigos da jovem. Além de criarem uma página no Facebook com a foto dos seios de Amanda, a pessoa que a ameaçava sabia onde ela morava, quem eram seus amigos e onde ela passava seu tempo, perseguindo-a. As fotos foram enviadas para todos.   Amanda começou a adoecer, sofrendo com ansiedade, depressão e pânico. E, assim, passou a usar drogas e álcool, além de se automutilar. A jovem teve que mudar de escola e passava seus dias sozinha, até conhecer um menino que afirmava gostar dela. Mas o que a menina não sabia é que ele era comprometido. A namorada ultrajada e mais 15 meninas agrediram-na fisicamente e humilharam-na. Quando retornou para casa, Amanda tentou se matar tomando alvejantes e foi internada. Após sair do hospital, começou a receber mensagens de ódio incentivando-a a se matar. A vítima se afastou, indo morar com sua mãe, mas, mesmo assim, ainda recebia mensagens com fotos de alvejantes. Amanda ainda teve overdose por ingerir remédios anti-depressivos, não resistiu à pressão e se enforcou.

CONSEQUÊNCIAS DO CIBEREBULLYING


  O ciberbullying pode causar muitos danos à vítima. Embora não tenha agressão física, afeta o psicológico. Isso ocorre com frequência quando alguém humilha a vítima por alguma característica que ela tenha, ou quando ela é exposta na internet para todos verem. Pode, ainda, causar futuras agressões físicas, quando a pessoa tem seu endereço vazado na internet ou quando recebe ameaças de morte. Atitudes como essas prejudicam ao extremo o psicológico de qualquer indivíduo, e é muito difícil não se abalar, podendo causar baixa autoestima, dificuldade para se relacionar, síndrome de pânico, e, como já mencionado, suicídio e depressão.
  Esse ato de violência pode também afetar a imagem social da vítima, pois as pessoas podem “olhar com outros olhos” aquele que é alvo de bullying ou ciberbullying. Embora determinada agressão possa gerar intimidação aos que apenas “assistem”, testemunhas que presenciam esse ato e não denunciam colaboram indiretamente para a existência do problema.
  Além disso, outro fator de relação social é a vítima normalmente se isolar das pessoas, por vergonha ou medo, podendo levá-la ao mais trágico ato, por não conseguir o apoio ou a ajuda necessária. A maioria desses problemas contribui para que pessoas que viviam uma vida considerada “normal”, não consigam mais se relacionar, ou as que já apresentavam históricos depressivos possam ter sua situação agravada, isolando-se e agindo de maneira incomum.
  Normalmente, além da família, espera-se que a escola também seja atuante no apoio à vítima que está sofrendo o ciberbullying. O contato com psicólogos escolares, orientadores educacionais e coordenadores disciplinares, por exemplo, é uma importante colaboração da escola que, juntamente às famílias, pode contribuir com o fim desse problema.

COMO COMBATER O CIBERBULLYING?


  Além do Programa de Combate à Intimidação Sistemática, já explicitado anteriormente, outras estratégias e ações favorecem a luta contra essa prática cruel. Quando somos crianças, por exemplo, aprendemos que não devemos aceitar nada de estranhos, e isso também vale para a internet, pois muitas pessoas no meio virtual dizem ser o que não são. Nesse sentido, a prevenção e a informação são as melhores formas de combate a esse tipo de violência.
  Esse aprendizado sobre segurança na internet, assim como valores éticos e morais podem ser trabalhados nas escolas, mostrando para as crianças que é errado xingar ou intimidar pessoas, mesmo no ciberespaço. No que diz respeito à segurança e bom uso desse ambiente, é importante ensinar às crianças a terem mais cautela no meio digital, não divulgando fotos nas redes sociais, não revelando senhas para desconhecidos, sabendo como diferir uma página confiável de uma página duvidosa.
  Esse trabalho deve ser realizado pela família também, já que a internet está tão presente no nosso mundo. Atualmente, todos têm acesso à internet, desde crianças até os mais idosos, portanto, qualquer um pode acabar sendo vítima de situações de cyberbullying. Na maioria dos casos, tudo ocorre de maneira “silenciosa”, com o compartilhamento de mensagens em grupos de amigos ou mensagens privadas. Além disso, muitos se aproveitam da falta de conhecimento sobre os meios digitais ou sobre como funcionam as redes sociais para colocar em prática esse tipo de agressão.
  Casos como o de Amanda Todd e Megan Meier deixam explícito como o ciberbullying pode ser fatal para a vítima. Infelizmente, muitas pessoas não sabem lidar com duras e injustas críticas sofridas nas redes sociais; e é nesse momento que a família é muito importante para que acompanhe o adolescente nesse processo. O apoio dos pais é fundamental para que o adolescente se sinta mais seguro consigo mesmo e com as pessoas a sua volta. Além disso, os pais devem supervisionar o que acontece nas redes sociais dos filhos para evitar esse tipo de problema. Por isso, os mais jovens devem ser conscientizados e devem tomar muito cuidado, pois o espaço virtual pode ser muito atraente e convidativo para falar com os amigos, mas também pode ser traumatizante e trazer problemas irreversíveis.
  Crianças e adolescentes são imaturos emocionalmente e têm dificuldades em lidar com os próprios sentimentos. Em tempos de cultura digital, essa imaturidade pode gerar agressões ainda mais graves, acentuadas pela agilidade e pelo alcance de mensagens ofensivas e difamadoras. Além disso, a ilusão de estar escondido atrás de um computador pode tornar o agressor ainda mais imprudente, o que torna ainda mais urgente a necessidade de ações educativas e de práticas restaurativas que previnam esse tipo de violência.

REFERÊNCIAS

Cyberbullying: o que é? – Politize Disponível em: https://www.politize.com.br/cyberbullying-o-que-e/ Acesso em ago/2020

Cyberbullying: o que é, consequências, dados no Brasil – Brasil Escola Disponível em: https://brasilescola.uol.com.br/sociologia/cyberbullying.htm Acesso em ago/2020

3. O bullying é um fenômeno recente? – Nova escola Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/1432/3-o-bullying-e-um-fenomeno-recente Acesso em set/2020

Brasil é o 2º país com mais casos de bullying virtual contra crianças – Noticias Disponível em: https://noticias.r7.com/tecnologia-e-ciencia/brasil-e-o-2-pais-com-mais-casos-de-bullying-virtual-contra-criancas-11072018#:~:text=Uma%20pesquisa%20realizada%20pelo%20Ipsos,20.793%20pessoas%20em%2028%20pa%C3%ADses Acesso em set/2020

6 Casos de Cyberbulliying que tiveram finais trágicos – Marcus pessoas Disponível em: https://marcuspessoa.com.br/6-casos-de-cyberbullying-que-tiveram-final-tragico/ Acesso em set/2020

Cyberbullying: do virtual ao psicológico Papsic Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1415-711X2015000100008 Acesso em out/2020

Cyberbullying: uma ameaça digital – Revista Galileu | Sociedade – Revista Disponível em: https://revistagalileu.globo.com/Sociedade/noticia/2016/10/cyberbullying-uma-ameaca-digital.html Acesso em out/2020

Sesc São Paulo – Bullying na era digital – Revistas Sescsp Disponível em: https://www.sescsp.org.br/online/artigo/11919_BULLYING+NA+ERA+DIGITAL Acesso em nov/2020

LEI Nº 13.185, DE 6 DE NOVEMBRO DE 2015. – Planalto Disponível em: http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13185.htm Acesso em nov/2020

Ser jovem na era digital – Google Drive Disponível em: https://drive.google.com/file/d/1rMJRprIg9pLPdqNyPZVk1C3G_N5xhZl_/view Acesso em dez/2020

Cyberbullying: a violência virtual – Nova escola Disponível em: https://novaescola.org.br/conteudo/1530/cyberbullying-a-violencia-virtual Acesso em dez/2020

Pesquisa do UNICEF: Mais de um terço dos jovens em 30 países relatam ser vítimas de bullying online – Unicef Disponível em: https://www.unicef.org/brazil/comunicados-de-imprensa/mais-de-um-terco-dos-jovens-em-30-paises-relatam-ser-vitimas-bullying-online Acesso em dez/2020

Rolar para cima