TECNOLOGIA CÍVICA
As Tecnologias Cívicas podem ser definidas como o conjunto de iniciativas que são utilizadas em prol do desenvolvimento relacionado à acessibilidade, ao fortalecimento e à melhoria de serviços públicos, que visam, a partir do uso da tecnologia, buscar maneiras de criar melhor condições em determinados movimentos sociais.
A ideia de Tecnologia Cívica parte do civismo que está ligado à cidadania. Pode-se considerar que a relação da cidadania com a tecnologia está na maneira que uso dos meios digitais contribuem para uma inclusão das mais diversas esferas sociais; buscando sempre, de forma gradativa e constante, uma integração pública para que sejam respeitados os direitos e as condições de cada pessoa, na busca efetiva pela cidadania.
Desse modo, são tecnologias que trazem, em sua essência, o convite aberto à participação de qualquer pessoa que queira contribuir com a construção ou a melhoria da vida cidadã, sem a necessidade de qualquer tipo de permissão ou autorização. Nesse sentido, a Tecnologia Cívica é compreendida como um meio de inovação para as cidades, que se baseia na presença ativa de cidadãos e em novas formas de governo urbanas associadas à tecnologia.
DESCRIÇÃO DE DADOS HISTÓRICOS
As antigas tecnologias produzidas para o consumo e não programáveis, forneciam ao usuário um poder limitado baseado no que o fabricante considerava interessante. No final da década de 70, a Apple realizou um importante lançamento, um computador que apresentava mais possibilidade de uso, que iam além do que o fabricante limitava. Era possível expandir a usabilidade do computador pelo desenvolvimento de aplicativos desktop, tornando, assim, a tecnologia mais colaborativa.
O surgimento de linguagens de programação de alto nível mais simples de programar possibilitou que pessoas de menor conhecimento técnico pudessem construir aplicativos, contribuindo para que tecnologias como os computadores pessoais assumissem ainda mais o perfil de uma tecnologia que busca modificações favoráveis e alterações significativas no mercado, na sociedade e no mundo.
Tempos depois, Etzkowitz e Leydesdorff (2000) criaram a
O método desenvolvido em conjunto por Henry Etzkowitz e Loet Leydesdorff é denominado tríplice hélice e tem como argumento principal a ideia de que a inovação é dinâmica e sustentável a partir da articulação entre três atores sociais: as empresas, as universidades e o governo. Esse contexto considera a sociedade contemporânea baseada no progresso científico e tecnológico. Imaginar um mundo contemporâneo é pensar em como a ciência constrói um modelo social diariamente, tendo o conhecimento como meio impulsor de ecossistemas sociais existentes.
É um modelo aprimorado da tríplice hélice, que acrescentou a sociedade civil. Podemos analisar a importância da sociedade nas tomadas de decisões políticas, nas inovações, no comércio, nos ambientes acadêmicos, pela grande influência que as mídias (principalmente na parte cultural) possuem. Esse novo modelo coloca a sociedade civil como destaque, pois traz muitas ideias para novos aplicativos, sites e meios que aproximam o cidadão de tudo ligado a ele. Há uma preocupação em facilitar e obter colaboração dos usuários, para uma produção mais inclusiva. A sociedade civil foi incluída por ter elo com o Estado e suas organizações políticas, econômicas e educacionais. Podemos definir a quádrupla hélice como um sistema harmonioso, pois há colaboração de todos para uma decisão e/ou compreensão, dando mais visibilidade aos indivíduos sociais a participarem de escolhas nos diversos ramos, abrangendo ideias e opiniões populares, mostrando de certa forma mais credibilidade aos usuários por terem consentimento de tudo por trás das decisões. A integração desse novo membro nas inovações atribui informações culturais, estilos de vida e arte. Dessa forma, facilita a criação de meios tecnológicos diversificados e de boa desenvoltura na sociedade, já que possui temas amplos e que chamam a atenção do usuário.
Portanto, o uso de tecnologia nesta situação pode ampliar o alcance da participação do cidadão no processo de tomada de decisões e na formulação de políticas públicas mais eficazes. Logo, a inovação cívica é atualmente entendida como uma forma de inovação urbana, tendo como destaque a participação cidadã e as novas maneiras de governança, favorecendo ligações entre os cidadãos e o poder público. Por meio de ágoras digitais, o uso dessas ferramentas pode ajudar o compartilhamento de informações e, assim, contribuir com o conhecimento, a criatividade e o poder público.
DESMEMBRAMENTO E OUTRAS INFORMAÇÕES SOBRE O TEMA
De que forma se aplica o uso da Tecnologia Cívica?
O acesso às tecnologias, que permitem dar voz ao povo, pode ser disponibilizado por organizações sem fins lucrativos ou organizações com intenção de ganhar lucro, além do próprio governo. A tecnologia cívica existe porque o uso de tecnologia tornou a sociedade menos equalitária, uma vez que o acesso à internet e aos meios tecnológicos se tornou essencial.
Para os governos, é dessa forma que se mantém uma relação democrática com a população. Por votações, tomada de decisões, mapeamento de dados, acesso a notícias e a informações importantes e certa transparência com a campanha essa relação torna-se possível, e garante também aos usuários da tecnologia cívica a viabilidade de compartilhar opiniões e buscar soluções em conjunto.
O acesso à tecnologia cívica pode ser usada como uma oportunidade para os cidadãos, não só através da interação com as autoridades, mas também como um meio de conhecer pessoas com ideias parecidas em fóruns ou comunidades locais. Dessa maneira, há uma probabilidade de, em conjunto, haver a promoção de uma iniciativa social e, como o financiamento coletivo de informações, disponibilizar acesso aos dados dos usuários para a identificação de problemas urbanos. Isso, consequentemente, facilita o encontro de uma solução e institui essa tecnologia como forma de conceber uma comunidade formada por cidadãos mais ativos.
Quais as possibilidades de uso da Tecnologia Cívica?
As pessoas precisam da Tecnologia Cívica em seu dia a dia. Em muitas situações, pode-se confirmar sua praticidade. Esses recursos podem atuar, por exemplo, na redução da distância social para os idosos com aplicativos que facilitam a adoção da tecnologia, disponibilizando acesso a transporte, o rastreamento de medicamentos, e até o agendamento de consultas médicas. Facilitam também o acesso a serviços e produtos de qualidade; contribuem com o acesso digital e com a melhora na comunicação e na autonomia de pessoas portadoras de alguma deficiência. Contribui, além disso, para o reencontro de refugiados com seus parentes; com a melhoria da segurança pessoal; pode simplificar sua rotina e maximizar seu tempo; favorecer a leitura de textos para pessoas cegas ou deficientes visuais; promover a abertura de empresas; a criação de campanhas; ajudar a lidar com o controle de vícios. Essas são algumas das inúmeras possibilidades que a Tecnologia Cívica pode proporcionar aos cidadãos.
Exemplos da aplicação de Tecnologia Cívica:
Espalhados pelo globo, existem projetos relacionados à Tecnologia Cívica, seja com a introdução da internet na vida das pessoas, até estruturas mais complexas sendo implementadas no dia a dia delas. Um exemplo é a OGP (Parceria para Governo Aberto), que reúne, todos os anos, países da África, América, Europa e Sudeste da Ásia, com a proposta de promover transparência em campanhas e compromissos governamentais, capacitar os cidadãos, combater a corrupção e usar essas novas tecnologias para fortalecer a liderança.
Exemplos do funcionamento da Tecnologia Cívica:
Quais são os entraves no uso da Tecnologia Cívica?
Mesmo que a tecnologia esteja presente na vida da maioria das pessoas, muitos ainda não têm acesso a esse mundo, e a utilização desses meios como inclusão resulta em diferentes reações e consequências. Municípios mais carentes, que não estão acostumados com a utilização de aplicativos e com essa modernização, terão muito mais dificuldade do que pessoas que, por exemplo, vivem em cidades grandes e já convivem com isso diariamente.
Países como os Estados Unidos demonstraram que as pesquisas feitas online são tão importantes quanto as feitas pessoalmente, já que atraíram diversos grupos que não costumavam fazer parte das análises. Enquanto lugares como Guatemala e Libéria não tiveram resultados tão bons, em consequência da falta de conhecimento e acesso aos meios tecnológicos.
Esses estudos são de extrema importância para que o governo tenha consciência do resultado sobre os serviços públicos. Sendo assim, a tecnologia facilita o acesso a essas pesquisas, diminuindo a burocracia das realizadas pessoalmente.
Em 2020, o governo brasileiro gastou cerca de R$ 2.834.866,76 com a formação de recursos humanos na área da Ciência e Tecnologia, quase R$ 2.000.000 a menos que no ano anterior, mostrando que, mesmo que essa área seja de grande importância, há uma desvalorização. Ainda assim, muitos serviços foram atualizados para serem feitos de forma digital, como compras no supermercado, pagamento de contas, consultas médicas, check-in em aeroportos, serviços de delivery, independentes do governo em sua maioria.