MICROBIOTA INTESTINAL


  A maioria das células presentes no organismo humano não é humana e é encontrada nas comunidades microbianas riquíssimas que nele habitam. A existência desse microbioma é conhecido desde que o holandês
Antonie van Leeuwenhoek

Anton Van Leeuwenhoek foi um proprietário moderadamente educado de uma empresa têxtil, que aprendeu a fazer seus próprios microscópios únicos que ofereceram ampliação incomparável.
Usando esses microscópios, fez uma série de descobertas científicas de importância crucial, incluindo os animais unicelulares e plantas, bactérias e espermatozoides. Seus métodos de microscopia foram ajustados, permitindo que ele descobrisse bactérias. Então, logo foi considerado o primeiro microbiologista e, como passou a ser chamado, “pai da microbiologia”

(1632-1723) observou, em um de seus microscópios, um raspado da superfície de seus dentes e descobriu muitos minúsculos seres vivos, com as mais variadas formas. A partir dessa data, iniciaram-se os estudos sobre a flora intestinal, hoje chamada de microbiota intestinal.
  Microbiota intestinal, ou flora intestinal, refere-se à população de
micro-organismos

  Micro-organismo (ou microrganismo) é o nome dado a todos os organismos compostos por uma única célula e que não podem ser vistos a olho nu, sendo visíveis apenas com o auxílio de um microscópio. Logo, essa é uma classificação artificial – e sob o nome de “micro-organismo” podem estar reunidos organismos pertencentes aos mais diversos grupos, como, por exemplo, vírus, bactérias, fungos unicelulares e protistas.

, como bactérias, fungos e vírus, que habitam no intestino; têm como função manter a integridade da
mucosa

  A mucosa, também conhecida como túnica ou membrana mucosa, é constituída por um epitélio de revestimento associado a um tecido conjuntivo denominado lâmina própria. É responsável pelo revestimento interno das cavidades úmidas do corpo que mantêm contato com o meio externo como, por exemplo, a boca, o intestino, a bexiga, o trato respiratório e p trato urogenital. Por estarem sujeitas a invasões microbianas, as mucosas dessas regiões possuem acúmulos de linfócitos na forma de nódulos linfáticos, associados a tecido linfático difuso.

e controlar a proliferação de bactérias perigosas, auxiliando no desenvolvimento de patógenos causadores de doenças.
  A microbiota começa logo após o nascimento. No parto normal, a criança tem um contágio mais rápido, pois o contato da vagina com o bebê acaba proporcionando a junção da microbiota fecal materna com a do recém-nascido. Em contrapartida, a
cesárea

  A cesariana é um procedimento cirúrgico feito para a extração do feto, por via abdominal através da realização de um pequeno corte acima do púbis da mãe. Há que se ter em conta que uma cesariana deve ser realizada para evitar um mal maior, ou seja, para evitar um problema grave para o feto ou para a mãe. Apesar de ser um procedimento muito seguro na atualidade, deve apenas ser realizado em determinadas condições.

é contaminada através do meio ambiente.

MICROBIOTA INTESTINAL PERMANENTE


  A microbiota intestinal pode ser de dois tipos: permanente e transitória. A microbiota permanente é ligada às células da mucosa do intestino, que possuem vários microrganismos fixos, proliferam-se com agilidade e estão bem adequados ao organismo.
  Acredita-se que a microbiota humana contenha trilhões de microrganismos, com pelo menos 100 espécies diferentes de bactérias conhecidas, acumulando milhões de
genes

  Cada gene é composto por uma sequência específica de DNA que contém um código (instruções) para produzir uma proteína que desempenha uma função específica no corpo. Cada célula humana tem cerca de 25.000 genes. A maioria dos genes está contida nos cromossomos.

– 150 vezes mais do que os genes humanos. A alimentação diária apresenta mais influência sobre a constituição da microbiota quando comparada aos fatores genéticos (57% vs. 12%).

MICROBIOTA INTESTINAL TRANSITÓRIA


  A “microbiota transitória” é composta pelos microrganismos que estão presentes por períodos variáveis, podendo desaparecer temporariamente. Estes microrganismos residem nestes lugares de forma mais ou menos permanente e, em alguns casos, realizam funções específicas.

FUNÇÕES DA MICROBIOTA INTESTINAL


  A microbiota intestinal tem inúmeras funções, dentre elas estão: a manutenção da integridade da mucosa, o controle da proliferação de bactérias patogênicas presentes no
trato intestinal

  Um tubo oco que se estende da cavidade bucal até o ânus. Assim é o trato/aparelho gastrointestinal ou trato digestório. Formado por boca, faringe, esôfago, intestino delgado, intestino grosso e ânus, ele ainda possui órgãos acessórios, como: dentes, língua, glândulas salivares, fígado, vesícula biliar e pâncreas.

, o estímulo do
sistema imunológico

  O sistema imunológico humano, também chamado de sistema imune ou imunitário, é formado por uma grande quantidade de células e moléculas responsáveis por reconhecer um antígeno e desencadear uma resposta efetora diante desse estímulo. Essas células e moléculas destroem ou inativam o antígeno e, portanto, são fundamentais para garantir a defesa do corpo contra infecções e tumores. Além das células livres, o sistema imunológico possui estruturas individualizadas, tais como linfonodos e baço.

, a regulação da absorção de
nutrientes

  Nutrientes são todas as substâncias encontradas nos alimentos úteis para o metabolismo orgânico e indispensáveis para o crescimento, desenvolvimento e manutenção das funções vitais dos organismos vivos, e consequentemente, para a boa manutenção da saúde. Dividem-se em macronutrientes, aqueles presentes em grande quantidade nos alimentos, como é o caso de carboidratos, proteínas e lipídios (ou gorduras); ou micronutrientes, aqueles que se apresentam em quantidades pequenas, como minerais e vitaminas.

, a produção de componentes necessários para a
renovação celular

  A renovação celular mantém a homeostasia (estabilização) através do equilíbrio entre a divisão celular e a morte celular. A taxa de renovação é variável em função do tipo celular. Existem tecidos com uma renovação rápida e outros com uma renovação lenta.

e o auxílio na produção de algumas vitaminas, como
vitamina B

  Vitaminas são compostos orgânicos e nutrientes essenciais de que o organismo necessita em pequenas quantidades para o normal funcionamento do seu metabolismo. As vitaminas do complexo B são um grupo de vitaminas solúveis em água, que, geralmente, atuam como coenzimas. As vitaminas do complexo B apresentam uma numeração e um nome específico: vitamina B1, vitamina B2, vitamina B3, vitamina B5, vitamina B6, vitamina B7, vitamina B9 e vitamina B12.

e
vitamina K

  A vitamina K foi descoberta em 1929, durante um estudo realizado com galinhas em que foram observados quadros de hemorragia como resultado da falta de gorduras na alimentação desses animais. A forma mais comum dessa vitamina é a filoquinona (vitamina K1), que está presente em vegetais de folhas verdes e em óleos e gorduras.

. Também conhecida como flora intestinal, a microbiota do intestino ainda auxilia a combater agressões de outros microrganismos, mantém a integridade da mucosa intestinal, evitando excesso de permeabilidade e desempenha importante papel no sistema imunológico, promovendo efeito de barreira. Além disso, a microbiota intestinal produz aproximadamente 90% de toda
serotonina

  Substância amina (C10H12N2O) encontrada em tecidos humanos e animais, especialmente no cérebro e nas mucosas gástricas, que desempenha importante função fisiológica como neurotransmissor, vasoconstritor e regulador da atividade dos músculos lisos; hidroxitriptamina.

do corpo e, por isso, regula o humor. Ela também ajuda a digerir certos alimentos que nem o
estômago

  O estômago é um órgão presente no tubo digestivo, situado logo abaixo do diafragma, acima do pâncreas, mais precisamente entre o esôfago e o duodeno. Nele, os alimentos são pré-digeridos e esterilizados, a fim de seguirem para o intestino, onde são absorvidos.

, nem o
intestino delgado

  Intestino delgado é uma parte do tubo digestório médio, situado entre o estômago e o intestino grosso. O tamanho do intestino delgado é de aproximadamente 5 metros de comprimento. É no intestino delgado que ocorre a maior parte da digestão dos nutrientes, bem como a sua absorção, ou seja, a assimilação das substâncias nutritivas.

foram capazes de digerir.

POR QUE O INTESTINO PODE SER CONSIDERADO O SEGUNDO CÉREBRO


  Os médicos acreditam cada vez mais que a função do
sistema digestivo

  O sistema digestório é formado pela boca, faringe, esôfago, estômago, intestino delgado, intestino grosso e ânus. Fazem também parte desse sistema as seguintes glândulas acessórias: glândulas salivares, pâncreas e fígado. A digestão inicia-se na boca, com a ação da saliva e dos dentes.

humano vai muito além de simplesmente processar o alimento ingerido. Isso é porque esse sistema contém aproximadamente 500 milhões de
neurônios

  Neurônios são as células responsáveis pela transmissão dos impulsos nervosos e constituem cerca de 10% do tecido nervoso. Eles são formados basicamente por três estruturas: um corpo celular, dendritos e axônios.

, o que rendeu a esse sistema independente o nome de “
sistema nervoso entérico

  O sistema nervoso entérico faz parte do sistema nervoso autônomo. É uma rede de neurónios que integram o sistema digestivo (trato gastrointestinal, pâncreas e vesícula biliar). Esse sistema é formado principalmente pelos plexos mioentérico e submucoso.

” (SNE). O
sistema nervoso central

  O Sistema Nervoso Central (SNC) é a parte do sistema nervoso formada pelo encéfalo e pela medula espinhal. O sistema nervoso é fundamental para a percepção do mundo que nos cerca e também para o funcionamento do corpo e a realização de atividades, como locomoção, raciocínio e memória.

(SNC) usa o
nervo vago

O nervo vago é o maior nervo craniano, tendo origem na parte de trás do bulbo raquidiano, uma estrutura cerebral que liga o cérebro com a medula espinal. Sai do crânio por uma abertura chamada de forame jugular, descendo pelo pescoço e tórax até terminar no estômago.

para se comunicar com diversas partes do corpo (como os pulmões, olhos, cordas vocais etc.), mas os cientistas observaram que 80-90% dos sinais de comunicação iam do intestino para o
cérebro

  O cérebro é parte do sistema nervoso central, situado na caixa craniana dos vertebrados; recebe estímulos dos órgãos sensoriais, interpretando-os e correlacionando-os com impressões armazenadas, a fim de acionar impulsos motores que, essencialmente, controlam todas as atividades vitais. Nos humanos, é também o órgão do pensamento, dos sentimentos, da memória e da imaginação.

. O SNE não consegue ter pensamentos conscientes, mas desempenha um papel essencial no processamento das emoções.
  Do ponto de vista da evolução, antes da criação das tabelas nutricionais, uma das escolhas mais importantes da vida humana girava em torno da alimentação, e o intestino tinha que ser capaz de aprender sozinho a guardar memórias e se autorregular.

  • CAUSAS:
  • É um sistema nervoso autônomo: Diferente de qualquer outro órgão do corpo, o intestino pode funcionar sozinho. Tem sua própria autonomia para tomar decisões, não precisa que o cérebro lhe diga o que fazer.
  • 70% das células do sistema imunológico humano vivem no intestino: isso torna a saúde do intestino a chave para a imunidade às doenças.
  • 50% das células são bactérias: não são apenas restos de comida; aproximadamente metade das fezes humanas é formada por bactérias.
  • Quanto mais diversificada a dieta, mais diversificado é o
    microbioma

      São pequenos organismos que, muitas vezes, são chamados de “micróbios” e pertencem a algum grupo de bactérias, fungos, vírus ou protozoários. Um conjunto destes micro-organismos vivendo em um ambiente específico constitui uma comunidade, que pode ser definida como um microbioma.

    : No intestino humano vivem trilhões de
    micróbios

      Micróbios são seres vivos de dimensões tão pequenas, que, em geral, só podem ser vistos com o auxílio de microscópios. Na sua maioria, pertencem ao reino das bactérias e dos fungos, bem diferentes dos animais e das plantas.

    que gostam de diferentes alimentos e são fundamentais para a digestão, porque sua atividade permite que o organismo absorva certos nutrientes da alimentação.
  • O intestino humano está ligado aos níveis de
    estresse

      O estresse é uma resposta física do organismo a um estímulo. Quando estressado, o corpo pensa que está sob ataque e muda para o modo “lutar ou fugir”, liberando uma mistura complexa de hormônios e substâncias químicas como adrenalina, cortisol e norepinefrina para preparar o corpo para a ação física. Os principais sintomas do estresse são: dores, diarreia, baixa imunidade, tontura, perda de libido, sudorese excessiva.

    e ao estado de
    ânimo

      A palavra ânimo vem do latim “animus”, que significa a alma, os pensamentos. Em latim, “animus” era o lado psicológico do homem, a sede dos pensamentos, das ideias, da vontade, das emoções e do caráter. Animus representava a parte do homem que não é física, mas que forma a identidade. Todas as ações do homem derivam dos processos que acontecem dentro do animus. Em português, o animus seria a alma, a mente, o coração.

    : Se o indivíduo tem problemas intestinais, algo fundamental que precisa fazer é observar a quanto de estresse está submetido.
  • DISBIOSE INTESTINAL


      Quando os trilhões de microrganismos que compõem a microbiota e que vivem dentro do trato gastrointestinal estão bem equilibrados, eles transmitem um efeito positivo para a saúde humana. Um desequilíbrio pode afetar negativamente o organismo.
      Essa desarmonia de bactérias intestinais é chamada de disbiose e pode ocorrer no intestino delgado ou no
    intestino grosso

      O intestino grosso faz parte do sistema digestório e é onde ocorre a última etapa do processo digestivo: a absorção da água e a formação da massa fecal. O intestino grosso tem aproximadamente um metro e meio (1,5m) de comprimento e seis centímetros e meio (6,5cm) de diâmetro. A principal função do intestino grosso é absorver a água ingerida e aquela proveniente de secreções digestivas, por exemplo, a saliva que se junta ao alimento durante sua passagem pelo tubo digestório. Além da absorção, o intestino grosso também é responsável pelo armazenamento e pela eliminação da massa fecal.

    .

    SINTOMAS DA DISBIOSE INTESTINAL:
  • Dores abdominais;
  • Diarreia;
  • Intestino preso ou solto;
  • Refluxo

      A doença do refluxo gastroesofágico (DRGE), popularmente conhecida como azia, caracteriza-se pelo retorno do conteúdo gástrico para o esôfago, cuja mucosa não está preparada para receber substâncias ácidas e irritantes, podendo também alcançar a boca e provocar alterações dentárias ou atingir a laringe e os pulmões.

    ;
  • Azia;
  • Má digestão

      A indigestão, ou dispepsia, caracteriza-se por dor no abdômen ou pela presença de outros distúrbios gástricos, como sensação de estômago cheio, enjoos, eructações e vômitos. Vários são os problemas que podem causar indigestão: comer depressa demais sem mastigar direito os alimentos; beber exageradamente durante as refeições; abusar de alimentos gordurosos e das frituras, são alguns deles.

    ;
  • Dores de cabeça;
  • Inchaço abdominal;
  • Gases em excesso;
  • Mau hálito crônico;
  • Ondulações nas unhas e;
  • Dor nas
    articulações

      O sistema esquelético humano é formado por vários ossos de tamanhos e formas diferentes. O que garante a junção desses ossos e a mobilidade humana são as articulações entre eles. A maior parte das articulações proporcionam a capacidade humana de realizar amplos movimentos, dessa forma garante a manipulação de objetos e executar movimentos variados, como andar, sentar, correr etc.

    ;
  • PREJUÍZOS DOS ANTIBIÓTICOS À MICROBIOTA INTESTINAL


      As bactérias presentes na microbiota vivem em harmonia com o corpo humano, produzindo vitaminas e a manutenção do intestino, mas o uso de
    antibióticos

      Os antibióticos podem ser definidos como compostos naturais — quando produzidos por fungos ou bactérias — ou sintéticos; são capazes de interferir no crescimento bacteriano ou causar a morte desses seres. Quando causam a morte das bactérias, são chamados de bactericidas, mas, quando apenas inibem seu crescimento, recebem o nome de bacteriostáticos.

    pode desestabilizar essa harmonia.
      Um estudo, realizado pelo Instituto Sueco para Controle de Doenças Infecciosas, mostrou que a
    antibioticoterapia

      É o tratamento de pacientes com sinais e sintomas clínicos de infecção pela administração de antimicrobianos. A antibioticoterapia tem a finalidade de curar uma doença infecciosa (cura clínica) ou de combater um agente infeccioso situado em um determinado foco de infecção (cura microbiológica).

    pode prejudicar as defesas do organismo por até dois anos. O desequilíbrio da flora intestinal acontece porque esse medicamento age nas centenas de espécies de bactérias que estão na parede do intestino, sem distinguir os microrganismos protetores ou nocivos à saúde. Com o processo, apenas as mais resistentes sobrevivem, o que causa o desequilíbrio da flora e resulta em diarreias, disfunção intestinal e colites.

    COLITE PSEUDOMEMBRANOSA


      Colite pseudomembranosa é uma inflamação do
    cólon

      O cólon está dividido em cólon ascendente, transverso, descendente e sigmoide. É muito comum confundirem o cólon com o intestino, no entanto, o órgão corresponde à parte central do intestino grosso, que possui ainda outras duas partes menores, o ceco e o reto.

    , que tem, entre suas múltiplas funções, a absorção de água e nutrientes, o armazenamento e o descarte dos resíduos da digestão, que formam as fezes. É causada pelo
    clostridium difficile

      A Clostridium difficile é uma bactéria que está naturalmente presente na flora intestinal de cerca de 3% dos adultos e 66% das crianças. Essa bactéria não causa problemas a pessoas saudáveis, contudo, alguns antibióticos utilizados para tratar outros problemas de saúde podem interferir no equilíbrio das “bactérias boas” da flora intestinal. Quando isto acontece, a Clostridium difficile pode se multiplicar e causar sintomas como diarreias e febre.

    , uma bactéria produtora de
    toxinas

      A toxina é uma substância venenosa produzida através da atividade metabólica de certos organismos vivos, como bactérias, insetos, plantas e répteis.

    , que está presente em cerca de 3% dos adultos saudáveis e em até 20% dos pacientes hospitalizados, principalmente naqueles sob tratamento com antibióticos. O Clostridium difficile costuma ser inofensivo em pessoas saudáveis, pois a sua proliferação é controlada pelas centenas de outras espécies de bactérias,
    fungos

      Fungos são organismos eucarióticos, ou seja, suas células possuem o material genético (DNA e RNA) envolto por um núcleo, o que os inclui no domínio Eukarya (classificação acima de reino). Para a sociedade, estes organismos chamam a atenção por representações, como cogumelos, mofos e bolores.

    e
    protozoários

      Os protozoários são organismos unicelulares, eucarióticos e que apresentam nutrição heterotrófica. Apesar de ser um termo bastante usado, não apresenta nenhum valor taxonômico, sendo considerado, portanto, um agrupamento artificial. Os protozoários, em sua grande maioria, apresentam vida livre e são encontrados em diferentes ambientes aquáticos e úmidos. Existem, no entanto, espécies que vivem em associação com outros organismos, como é o caso dos parasitas.

    . Esse microrganismo não é uma bactéria que ataca diretamente o cólon, seu problema reside no fato de ela ser uma produtora de toxinas irritantes à parede do intestino. Quando consegue se multiplicar descontroladamente, produz uma grande quantidade de toxinas, levando à colite pseudomembranosa, que causa diarreia profusa e comumente é letal.

    CAUSAS DA COLITE PSEUDOMEMBRANOSA


      A causa mais comum da doença, portanto, é a liberação de toxinas produzidas pela bactéria C. difficile, que agride as células epiteliais do intestino grosso, provocando inflamação, dor e diarreia, quando a microbiota normal da região é alterada pelo uso de antibióticos.

    SINTOMAS DA COLITE PSEUDOMEMBRANOSA


      Os sintomas de colite pseudomembranosa estão relacionados à proliferação do Clostridium difficile e produção e liberação de toxinas, levando ao aparecimento dos seguintes sintomas:

  • Diarreia com consistência muito líquida;
  • Cólicas abdominais intensas;
  • Náuseas;
  • Febre acima de 38ºC e;
  • Fezes com pus ou
    muco

      O muco é um fluido viscoelástico de origem biológica. É produzido pelas membranas mucosas como método de proteção de superfícies no ser vivo, contra a desidratação (pulmão), ataque químico (mucosa do estômago), bacteriológico (mucosa respiratória) ou simplesmente como lubrificante (esófago, cólon).

    ;
  • TRATAMENTO DA COLITE PSEUDOMEMBRANOSA


      O tratamento da infecção pelo Clostridium difficile é feito com antibióticos. Para casos leves a moderados, o
    metronidazol

      Metronidazol é um antibiótico utilizado para diversos fins. Existe na forma de comprimido, a ser utilizado por via oral, e em forma de creme ou gel, para ser aplicado na pele ou em mucosas. O formato de creme ou gel do metronidazol, em geral, é indicado para infecções vaginais e certos acometimentos na pele. Por meio da via oral, o metronidazol pode ser indicado para infecções gastrointestinais, tratamento auxiliar na erradicação de úlceras gástricas, infecções vaginais, doença inflamatória pélvica nas mulheres, uretrites nos homens, peritonite, colangite, diverticulite e alguns tratamentos dentários. O medicamento atinge o seu pico de efeito duas horas após a sua ingestão ou aplicação, que é o tempo que leva para o organismo absorvê-lo completamente.

    é o antibiótico de escolha. Nos casos mais graves, a
    vancomicina

      O Cloridrato de Vancomicina é um antibacteriano indicado no tratamento de infecções graves causadas por cepas sensíveis de estafilococos resistentes à meticilina (betalactâmico resistente). É indicado em pacientes alérgicos à penicilina, em pacientes que não podem receber ou que não responderam ao tratamento com penicilinas ou cefalosporinas, e em infecções graves causadas por outros microrganismos sensíveis à vancomicina, mas resistentes a outras drogas antimicrobianas.

    , por via oral, deve ser a escolha. Nos de
    colite fulminante

      A Colite Fulminante é uma doença inflamatória crônica do intestino, porém, como o próprio nome diz, está relacionada somente ao cólon. Durante a atividade da doença (crise), a mucosa intestinal sofre lesão e torna-se maciçamente infiltrada por células inflamatórias e é afetada por micro úlceras, tornando o cólon extremamente dilatado e inchado, ocorrendo o “íleo paralítico” (a ausência temporária dos movimentos contráteis normais do intestino).

    , com rompimento iminente ou já estabelecido do cólon, o tratamento deve ser cirúrgico, com ressecção da região afetada.
      Em pacientes com infecção recorrente por C. difficile, apesar do tratamento adequado com metronidazol ou vancomicina, algumas alternativas podem ser tentadas.
      O transplante de fezes (transplante de microbiota fecal) é uma técnica nova que consiste na administração de fezes de um doador diretamente para o trato gastrointestinal do paciente, através da
    colonoscopia

      A colonoscopia é um exame invasivo que captura imagens em tempo real do intestino grosso e de parte do íleo terminal (a porção final do intestino delgado). Para isso, um aparelho chamado de colonoscópio é introduzido no ânus e avalia a presença de câncer, males inflamatórios, por exemplo, a doença de Crohn e a retocolite ulcerativa.

    ou por uma sonda gastrointestinal.

    TRANSPLANTE DE MICROBIOTA FECAL


      O transplante de microbiota fecal é uma alternativa eficaz para o tratamento da Colite Pseudomembranosa, infecção causada por Clostridium difficile. Consiste na introdução da microbiota intestinal de um doador saudável em um paciente portador desta infecção.
      Esse procedimento é realizado a partir da infusão de fezes de um doador saudável no trato gastrointestinal de um paciente que possua alguma doença relacionada à alteração da microbiota intestinal, seja por colonoscopia,
    endoscopia

      A endoscopia é um exame capaz de analisar a mucosa do esôfago, estômago e duodeno (primeira parte do intestino delgado). É feita através de um tubo flexível (conhecido por endoscópio), que possui um chip responsável por capturar as imagens do sistema digestivo através de uma câmera.

    ou enema. Após o transplante, os cuidados são semelhantes aos de um exame de endoscopia ou colonoscopia.

    ORIGEM DO TRANSPLANTE DE MICROBIOTA FECAL


      Os primeiros relatos de TMF são de 1700 anos atrás, quando o médico chinês
    Ge Hong

    administrava suspensões de fezes humanas por via oral a pacientes com
    intoxicação alimentar

      Intoxicação alimentar é uma doença que tem como causa a ingestão de alimentos ou bebidas contaminadas, seja por fungos, bactérias, micro-organismos ou vírus que afetam o sistema digestivo.

    e/ou diarreia grave.
      Em 1958, Ben Eiseman e col. relataram o uso de
    enemas

      O clister, ou enema, é um procedimento que consiste na colocação de um pequeno tubo pelo ânus, no qual é introduzida água ou alguma outra substância com o objetivo de lavar o intestino, sendo normalmente indicado nos casos de prisão de ventre, para aliviar o desconforto e facilitar a saída das fezes.

    fecais em pacientes com colite pseudomembranosa grave.
      Em 2013, o transplante fecal foi incluído pela primeira vez nas diretrizes de tratamento de CDI recorrente (reincidência do C.difficile). O acúmulo de evidências sobre a TMF abre uma nova janela para o tratamento de doenças associadas à microbiota.
      O transplante da microbiota fecal foi realizado no Brasil pela primeira vez no
    Hospital Israelita Albert Einstein

      O Hospital Israelita Albert Einstein é uma sociedade civil sem fins lucrativos, sediada na cidade de São Paulo. Atua na saúde suplementar e pública, educação, pesquisa, inovação, consultoria, responsabilidade social; e tem atividades, também, no interior paulista.

    , em 2013, na cidade de São Paulo.

    COMO DEVE SER A ALIMENTAÇÃO PARA A SAÚDE INTESTINAL

      Apresentar um hábito intestinal adequado representa uma peça fundamental para o nosso bem-estar, além de contribuir na prevenção de doenças intestinais e desempenhar importante papel no sistema imunológico.

      A ingestão de líquidos deve ser adequada, preferencialmente água. O consumo aproximado de 1,5 litro por dia, além de hidratar o organismo, contribui com o funcionamento do intestino e eliminação de toxinas.

      Incluir alimentos fontes de fibras, tais como:

      Frutas frescas: laranja, mexerica com bagaço, mamão, figo, ameixa, manga, kiwi, abacaxi, uva.

      Frutas secas: ameixa preta, damasco, figo seco, uva passa.

      Cereais integrais: farelo de aveia ou de trigo, gérmen de trigo, linhaça, pão integral, arroz integral.

      Leguminosas: feijão, lentilha, grão de bico, soja.

      Hortaliças: berinjela, brócolis, vagem, aspargo, alcachofra e verduras, preferencialmente cruas como chicória (escarola), alface, rúcula.

      Observar a correta mastigação, comer devagar, mastigando bem os alimentos.

      Fazer pelo menos 5 refeições por dia.

    REFERÊNCIAS

    O Microbioma Humano – PDF Disponível em: https://bdigital.ufp.pt/bitstream/10284/5545/1/PPG_21839.pdf Acesso em Dez/2020

    Microbiota intestinal: um novo órgão? – Pebmed Disponível em: https://pebmed.com.br/microbiota-intestinal-seria-um-novo-orgao/ Acesso em Dez/2020

    Flora Intestinal – Info Escola Disponível em: https://www.infoescola.com/fisiologia/flora-intestinal/ Acesso em Dez/2020

    Microbiota intestinal: cada vez mais importante – Saude Abril Disponível em: https://saude.abril.com.br/blog/alimente-se-com-ciencia/microbiota-intestinal-cada-vez-mais-importante/ Acesso em Dez/2020

    Saúde – Pebmed Disponível em: https://pebmed.com.br/ Acesso em Dez/2020

    Microbiota – Wikipédia Disponível em: https://pt.wikipedia.org/wiki/Microbiota Acesso em Dez/2020

    Microbiota, intestino e saúde – Brasil Health Disponível em: http://www.brazilhealth.com/Visualizar/Artigo/113/Microbiota-intestino-e-saude?AspxAutoDetectCookieSupport=1 Acesso em Dez/2020

    Saúde – Lab Notword Disponível em: www.labnetwork.com.br Acesso em Dez/2020

    Saúde – Minha vida Disponível em: www.minhavida.com.br Acesso em Dez/2020

    Saúde – Tua Saude Disponível em: www.tuasaude.com Acesso em Dez/2020

    Saúde – scielo Disponível em: www.scielo.br Acesso em Dez/2020

    Saúde – Drauzio varella Disponível em: drauziovarella.uol.com.br Acesso em Dez/2020

    endoscopia – endoscopia terapêtica Disponível em: endoscopiaterapeutica.com.br Acesso em Dez/2020

    Transplante fecal transmite infecção fatal por Escherichia coli resistente – Medscape Disponível em: https://portugues.medscape.com/verartigo/6504223#:~:text=O%20primeiro%20registro%20de%20uso,diarreia%20e%20a%20intoxica%C3%A7%C3%A3o%20alimentar. Acesso em Dez/2020

    Compra saúde – desichá Disponível em: https://www.desincha.com.br/ Acesso em Dez/2020

    Flora intestinal – Guia da Farmácia Disponível em: https://guiadafarmacia.com.br/flora-intestinal/ Acesso em Dez/2020

    Antibióticos interferem na flora intestinal – Jornal da USP Disponível em: https://jornal.usp.br/atualidades/antibioticos-interferem-na-flora-intestinal/ Acesso em Dez/2020

    Saúde – CRF SP Disponível em: http://www.crfsp.org.br/index.php Acesso em Dez/2020

    Colite pseudomembranosa: o que é, sintomas e tratamento – Tua saude Disponível em: https://www.tuasaude.com/colite-pseudomembranosa/ Acesso em Dez/2020

    Colite pseudomembranosa – Drauzio Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/colite-pseudomembranosa/ Acesso em Dez/2020

    Colite Pseudomembranosa: Sintomas e Tratamento – md. saúde Disponível em: https://www.mdsaude.com/gastroenterologia/colite-pseudomembranosa/ Acesso em Dez/2020

    Clostridium difficile e Colite Pseudomembranosa – Angomed Disponível em: http://angomed.com/clostridium-difficile-e-colite-pseudomembranosa/ Acesso em Dez/2020

    Alimentação para sua saúde intestinal – Noticias de Saúde Disponível em: https://www.einstein.br/noticias/noticia/alimentacao-para-sua-saude-intestinal Acesso em Dez/2020

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