TECNOLOGIA SOCIAL
INTRODUÇÃO
A Tecnologia Social é focada, inicialmente, em desenvolver a sociedade e as relações que os indivíduos que a compõem têm entre si, na busca por qualidade de vida. Ela consiste, basicamente, em uma corrente tecnológica com implicações filosóficas que utiliza todo o conhecimento disponível e as ferramentas digitais ao seu alcance para transformar a sociedade. O termo surgiu no final do século XIX e expandiu-se conjuntamente com os principais desafios da humanidade: a desigualdade, a pobreza, a fome, a democratização do acesso à energia, o trabalho, a educação e a saúde. Mesmo abrangendo a sociedade como um todo, a Tecnologia Social associa-se também às relações interpessoais e às dificuldades de interação, favorecendo, por exemplo, uma pessoa muito tímida a se relacionar com um grupo de pessoas ou, até mesmo, ensinar um analfabeto a ler.
DESCRIÇÃO DE DADOS HISTÓRICOS
No século XXI, debates desenvolvem-se gradativamente sobre a Tecnologia Social. Diante disso, é necessário compreender o significado desse conceito. A palavra “tecnologia” significa o conjunto de instrumentos, métodos e técnicas que visam a resolução de problemas. Em poucas palavras, trata-se da aplicação prática do método científico em diversas áreas de pesquisa. Ao analisar o significado de “social”, verifica-se que esse processo tecnológico deve ser acessível e estar disponível a fim de desenvolver a humanidade afetivamente.
Em relação à dimensão histórica, considera-se que, na Índia, no final do século XIX, ocorreram as primeiras aplicações da tecnologia apropriada, ou Tecnologia Social. Naquele período, o pensamento dos reformadores da sociedade estava direcionado à reabilitação e ao desenvolvimento de tecnologias tradicionais, as quais já eram aplicadas em suas aldeias com o objetivo de resistência ao domínio britânico. Entre 1924 e 1927, Gandhi empreendeu programas com o objetivo de popularizar a fiação manual como forma de luta contra a injustiça social e o sistema de castas. Durante esse processo, o ativista indiano criou o chamado
Significa “roda giratória”, uma ferramenta manuseada para fiar, que consiste em uma mesa apoiada sobre quatro pés, com uma roda montada em uma das extremidades. Referente aos ensinamentos de Mahatma Gandhi. A charkha lançou as bases para as máquinas posteriores, como a máquina de fiar e a estrutura de fiação, que substituíram a roda giratória durante a Revolução Industrial.
Essas ideias de Ghandi, além de terem sido aplicadas também na China, influenciou, mais tarde, o economista alemão Schumacher, responsável por cunhar a expressão ”Tecnologia Intermediária” e introduzi-la no mundo ocidental com a publicação de um livro em 1973. O termo designa uma tecnologia de menor custo que, de acordo com ele, constitui-se como mais apropriada a países em desenvolvimento, devido ao baixo custo capital, à pequena escala, à simplicidade e ao respeito ao meio ambiente. Com a evolução tecnológica, surgiram outros termos quanto à aplicação do conhecimento, tais como a Tecnologia Ecológica e a Tecnologia Socialmente Apropriada.
Durante a década de 1970, o movimento da Tecnologia Apropriada amplificou a contingência da Tecnologia Intermediária e incorporou outros termos, originados em outros movimentos. Segundo o professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica, Renato Dagnino, autor do livro “Tecnologia Social: contribuições conceituais e metodológicas” (2014), ao incorporar aspectos culturais, políticos e sociais e propor mudanças estruturais no modelo de desenvolvimento, o movimento configurou uma nova perspectiva para a produção tecnológica. Ainda nos anos 70 e na década de 80, grupos de pesquisadores adeptos à Tecnologia Apropriada nos países desenvolvidos incentivaram a produção baseada nessa abordagem. Ainda que a maior preocupação desses grupos fosse reduzir a pobreza nos países do Terceiro Mundo, era relativamente frequente a atenção dada aos problemas ambientais e às fontes alternativas de energia.
No Brasil, o termo Tecnologia Social foi consolidado pela Fundação Banco do Brasil, que realiza, desde 2001, o Prêmio Fundação Banco do Brasil de Tecnologia Social com o intuito de identificar, certificar, premiar e difundir essas iniciativas. O prêmio, realizado a cada dois anos, é o principal instrumento de identificação e certificação de tecnologias sociais que compõem o Banco de Tecnologias Sociais (BTS), além de ser um relevante instrumento de difusão dessas tecnologias que representam respostas efetivas às demandas das comunidades e são passíveis de transformação em políticas públicas. O Banco de Tecnologias Sociais, além de ser dividido por temas e áreas – como educação, alimentação, recursos hídricos, energia, habitação -, traça um perfil ideal com os critérios para o desenvolvimento de tecnologias sociais: inovação, efetividade, sistematização, capacidade de reaplicação e sua interação com a comunidade.
TECNOLOGIAS SOCIAIS E APLICAÇÕES
O termo “Tecnologias Sociais” (TS) surge inicialmente entre as organizações do terceiro setor; é utilizado para descrever experiências cujo objetivo volta-se para o desenvolvimento da sociedade por meio de informação e conhecimento a fim de alterar e aperfeiçoar a realidade. Por isso, é uma ponte entre as necessidades, os problemas e as soluções que surgem em contextos dos mais simples aos mais complexos. De acordo com o Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), existem muitos tipos diferentes de tecnologias sociais no Brasil e no mundo. Podemos dividi-las em alguns grupos:
Nesse sentido, destacam-se projetos e programas com aplicação de tecnologia social. A ChildFund Brasil é uma organização de desenvolvimento social, que atua com crianças, jovens e famílias em situação de risco social de modo que possam exercer o direito à cidadania. A Organização desenvolve programas para transformar a comunidade e entende a Tecnologia Social como as metodologias utilizadas para que essa transformação ocorra. Sendo assim, desenvolvem ações que intencionam melhorar o fortalecimento dos vínculos interpessoais, a sustentabilidade do lar, a convivência comunitária, a participação ativa do jovem, entre outras frentes de atuação.
A “Casinha de Cultura”, por exemplo, visa desenvolver a identidade cultural de crianças, adolescentes e jovens. O projeto “Animador Comunitário” capacita pais, mães e jovens na atuação voluntária em suas comunidades para maximizar o potencial de liderança no contexto em que estão inseridos. Ainda nas frentes de atuação da Organização está também “A Luta pela Paz”, outra aplicação da Tecnologia Social focada em adolescentes e jovens que vivem em situação de risco, desenvolvendo habilidades em cinco pilares: boxe e artes marciais, educação, acesso ao trabalho, suporte social e liderança juvenil. Já os programas “Aflatoun” (6 – 14 anos) e “Aflateen” (15 – 18 anos) atuam na educação social financeira, empregando tecnologias sociais que ajudam os participantes a pensarem de forma crítica sobre direitos e deveres, e buscam capacitá-los no bom uso dos recursos financeiros. Por fim, o projeto “Olhares em foco” utiliza a fotografia participativa como incentivo para o debate e para a reflexão sobre os problemas da comunidade. Sendo assim, essa ação promove o protagonismo juvenil a favor do bem-estar coletivo.
Ademais, as tecnologias sociais podem aliar
São conhecimentos adquiridos empiricamente, disseminados de geração em geração e elaborados por pequenos grupos (famílias, comunidades), fundamentados em experiências vividas.
No entanto, não é qualquer metodologia envolvendo pessoas que pode ser denominada de Tecnologia Social. Se o social não é um simples agrupamento de pessoas, mas o que ocorre e é processado entre elas, por consequência, tecnologias sociais são tecnologias associadas à – ou derivadas da – nova tecnologia das redes, concentrada no tecido intrincado social relacionado ao desenvolvimento e às experiências concernentes às redes sociais. Tecnologias chamadas de mídias sociais (como o Facebook e o Twitter) não são impreterivelmente tecnologias sociais, uma vez que redes sociais correspondem à interação de pessoas e não a simples definição de uma ferramenta tecnológica.